Tuesday, July 15, 2008

Ode a Marx

Hoje, quando falamos em Marx, parece-me que em geral surgem opiniões extremas, ou idealizam-no ou rejeitam-no.
Sem dúvida alguma Karl Marx foi um intelectual fascinante, a herança de suas obras a toda hora surge nos escritos das ciências humanas. Porém, toda essa sua altivez pode ser ofuscada quando relaciona-se a sua posição pró-socialista, ou mesmo, tendo contato com ela, o estudante bloqueia-se ás teorias marxistas.
Ora, Marx não é apenas um militante. O materialismo histórico é de uma amplitude magnífica, suas análises, teorias e metodologia revolucionaram o mundo. Independente de sermos a favor ou não do socialismo, estudá-lo se faz essencial a qualquer profissional que queira compreender verdadeiramente bem economia, política, história ou sociologia.
Por isso, entristece-me encontrar em tantos um preconceito anti-marxista.
Outro dia conversava com um amigo e defendi Marx, exaltando a importãncia de sua teoria sobre como a sociedade constrói suas relações a partir dos meios de produção e recebi um "ao menos isso ele fez" de retorno, um claro menosprezo à obra marxista.
Tais acontecências, fazem-me sentir que faz parte de meu perfil profissional desmistificar essa imagem, estudar o marxismo e mostrar ao mundo sua importância e relevância atual, refutando o que está obsoleto e trazendo à tona suas pertinências.

Wish me luck!

Wednesday, July 09, 2008

Post atrasado

Engraçado colocar esse título, pois na verdade tenho inúmeros textos atrasados aqui, como o da pós-modernidade e muitos outros.

Bom, de semana passada para cá eu assisti a muitos filmes. Uns dez, foi algo incomum, até porque tinha deixado há algum tempo minhas sessões cinéfilas regulares. Porém, uma coisa que sempre quis fazer, mas nunca consegui realizar em plenitude, foi sempre escrever sobre os filmes, a fim de praticar a escrita, fixar melhor o entendimento e postar aqui e assim dividir experiência e debater com os leitores (até parece q tem muitos hehehe)

Bom, apesar da introdução desenecessária, o fato é que eu decidi falar sobre os filmes que assisti, ou melhor, sobre os melhores, e tenho nisso uma meta. Os filmes selecionados foram, Juno, O Mercador de Veneza e O Sonho de Cassandra, que dos dez que assisti considerei os melhores.

Mas, então por que postei sobre Maria Antonieta? Este filme, assim como A Noviça Rebelde, representou uma exceção que achei válido escrever sobre. Como ele representou uma surpresa aos meus critérios, resolvi contemplá-lo independente dos três que escreverei nos próximos posts.

Abster-me-ei de discorrer sobre A Noviça Rebelde por vários motivos, dentre eles que, sendo um clássico, achei melhor mudar e falar sobre filmes mais recentes. Além disso, ele representa outra exceção à regra, quero dizer, ele é um clássico, e em geral eu gosto dos clássicos, todavia a temática, diálogos - e sendo um musical -, não é o tipo de filme que gosto de discorrer, de tratar dos aspectos sociais - apesar dele conter a questão política da invasão Nazista à Áustria.

Na verdade, não consegui deixar de ver nele uam espécie de Xuxa nas Montanhas da Áustria... Claro, que uma versão extremamente superior aos açucarados especiais de fim-de-ano da globo.

Enfim, estes serão os focos dos meus próximos posts, que álias, gostaria de receber comentários sobre as críticas, isso certamente me faria construir uma sensibilidade crítico-literária melhor.

Um abraço para quem lê!


listening to: Tank - Cowboy Bebop

Tuesday, July 08, 2008

Maria Antonieta

Kirton Dunst está em atuação deslumbrante - isso, caro leitor, certamento você já ouviu ou leu antes. Mas, mesmo não sendo original começar assim, é algo que ao assistir Maria Antonieta não há como deixar de falar.

Não é à toa que este filme ganhou o oscar de melhor figurino, dado o delírio que são suas imagens do início ao fim. É como passar por lindas vitrines da história francesa, Versailles, as roupas, as comidas, o luxo.

No entanto, senti falta de diálogos, de uma trama envolvente, e o filme terminou causando-me uma estranha afeição: uma magia reluzente que me envolveu além de meus costumeiros critérios pelo inebriante sonho de Maria Antonieta. Sou um apreciador de diálogos e roteiros bem estruturados - o que explica, por exemplo, minha estima pela produção do Woody Allen.

Todavia, esta obra não deixou a desejar, apenas fugiu aos meus padrões.

Apesar de tratar dos altos padrões que vivia a corte francesa, o filme não foca em questões sociais, não mostra o povo francês, ou elabora alguma critica social. Há, sim, momentos de constrate entre tais gastos e conflitos políticos, porém não são o eixo central do enredo.
O roteiro é basicamente seu percurso de ida e abandono do palácio real: Antonieta casou com o apático futuro rei da França, Louis XVI, representando a aliança franco-austríaca Porém, coberta por cuidados e mimos - para não dizer sufocada -, a princesa leva uma infeliz vida político-matrimonial - muito embora loucamente luxuosa.
Vale a pena conferir a obra e embriagar-se nos encantos fúteis dos quais desfrutava aquela corte, um devaneio que quicá tenhamos sempre a consciência, não fora algo humano, dada a miséria na qual tal vislumbre alicerçava-se.

Friday, June 13, 2008

Azul escuro quase preto

Hoje assisti ao cativante filme Azul Escuro Quase Preto, roteiro e direção de Daniel Sánchez Arévalo. O filme segue em torno de Jorge que, sentindo-se responsável pela problema de saúde do pai, assume o trabalho de porteiro enquanto termina sua faculdade. Jorge tem um irmão, Antônio, que está na prisão e se envolve com outra presidiária, Paula. Antônio está tentando ajudar Paula a engravidar e Jorge acaba sendo envolvido nessa relação, ao mesmo tempo que tenta resolver um relacionamento inacabado com sua vizinha, Natália. Enquanto isso, Israel, amigo de Jorge, descobre que seu pai é homossexual.

O filme, com uma narrativa lenta e gostosa, com cores bem frias e cenas sutis, segue mostrando como as personagens se mantêm presas em seus conflitos pessoais, assim como Paula que é a única a permanecer na cadeia até o final. Israel, no início, se refere a si e Jorge como dois homens presos a suas vidas, assim como seu peixe de estimação. O filme segue neste aspecto, focando em Jorge que parece de mãos atadas em todos os âmbitos de sua vida, até que resolve tomar uma atitude, mas estaria ele de fato mudando de vida

Uma coisa que achei interessante no filme é o fato dele tocar de forma delicada e sem exageros de diversos tabus da sociedade: homossexualismo, conflitos familiares, sexo, relações de classe, dentre outros, de forma muito natural. As tragédias são abordadas sem fazer um dramalhão, tornando tudo muito suave, mesmo que a vida de Jorge pareça triste, não é esse aspecto que é o foco do filme.

Vale a pena assistir. Mas, se for esperando um roteiro completamente inusitado ou surpreendente ou não gostar de filmes de narrativa lenta, esqueça. Este filme é como olhar o pôr-do-sol numa tarde qualquer sem nada especial, a não ser o gostoso dessabor que a vida pode ter.

A vida me parece às vezes tão como esse filme, um azul quase negro... Uma negritude que te envolve com sua escuridão, mas que vem disfarçada de azul e você não pode se queixar, se perguntando se é algo ruim mesmo ou se é apenas a vida...

Wednesday, April 23, 2008

Walter Benjamin e a atualidade

Neste último semestre estudei mais sobre marxismo, pós-modernidade e política, assuntos que me interessam bastante, mas que nos quais sou principiante.
Ao estudar Walter Benjamin e sua Tese sobre a História e conhecer alguns aspectos de seu pensamento acerca da modernidade, deparei-me com conflitos e incongruências hodiernas que, sob o prisma marxista se tornariam mais claras, preocupantes e, principalmente, urgentes.
Segundo os textos benjaminianos que li, a História proporcionaria oportunidade de resgatar no conhecimento histórico os recalques da humanidade, aquilo que foi oprimido, mas que continua a esperar sua justiça devida, vozes silenciosas que querem ecoar.
Pois bem, se adotarmos esse pensamento - e eu o adoto -, deparamo-nos com a informação de que existe na nossa sociedade, hoje, agora, problemas, recalques a serem resolvidos, elemtnos que nos proporcionariam entender melhor o que somos, o que devemos mudar e até contribuições de como fazê-lo (não estou dizendo que existe lá qualquer solução mágica). E, ao jogar essa análise no mosaico da contemporaneidade, identificando o mal-estar que percebo e que outros sentem, às vezes sem consciência disso, relaciono essas vozes oprimidas a esse sentimento de insatisfação atual, atentando ao fato que tal escuta e mudanças são urgentes.
Nesse caminho chego a vários lugares: pertinência do marxismo na atualidade, importância do historiador para a sociedade, malefícios e falácia da pós-modernidade, dentre outros, mas não vou tratar deles agora - o último será objeto do próximo texto que pretendo publicar-, agora, quero apenasr validar como os textos de Walter Benjamin possuem um caráter atual.
Walter Benjamin, viveu no contexto da Segunda Guerra Mundial, era judeu e socialista, mas ficou completamente desacreditado quando, em 1939, Stálin faz um pacto com Hitler, o que caracterizaria o pessimismo de sua obra. Por conseqüencia, é inquietante lê-lo e perceber que esse mesmo caráter pessimista dos textos benjaminianos, essa carência de solução à problemáticas urgentes, fazem-se tão presentes, tão atuais.
Há mais: pergunto-me que se, desde aquele tempo, ainda há tanto a resgatar, em que mudamos realmente de lá para cá? Tecnologicamente é inegável o colossal avanço - e aí cabe questionarmos para quem esse avanço se direciona e quais suas finalidades -, mas, e politicamente, humanamente? Ainda existem milhões de pessoas passando fome, ainda existe uma grande exploração humana da força de trabalho, enfim, desigualdades. Por que esses textos são tão pertinentes? Há algo muito errado nisso.
Concluo escrevendo algo que muito me entristece: tais questões nunca foram novidade, tampouco a negligência que lhes é dada, em contraste com o caráter urgente delas. Isto é algo evidente, mas que muitos permanecem preferindo ignorar.

---

No próximo texto pretendo falar do que chamo de "Ideologia da pós-modernidade", em continuação ao raciocínio iniciado aqui.
See yaa!

Tuesday, April 01, 2008

Some Greek Stuff

Estou aprendendo mais sobre mitologia e religião na Grécia Antiga nas aulas de Tópico Especial Especial em História Antiga - Religiõs Antigas, com o Professor João Azevedo.
Então, como sou fã do panteão grego e suas esculturas, selecionei algumas imagens bacanas que achei na internet aqui, algumas de Eros e uma pintura de Dioniso.

Enjoy it!



Eros a preparar o arco. Cópia romana de original de Lisipo
(s. IV a.C.). Museo Capitolino (Palazzo Nuovo)


Eros e Psiquê, há um mito de amor muito bonito por trás dessa escultura



Jovem se defendendo do aparentemente inofensivo Eros


Dioniso e seus seguidores
(clique para vê-la ampliada)

Friday, March 28, 2008

Cinema Nacional sem tiros



Lendo um artigo na IstoÉ de março, descobri que não sou o único a criticar a apelativa e exaustiva temática da marginalidade no cinema brasileiro. Essa produção violenta tem obtido notório sucesso e se tornou a fórmula mágica de diretores brasileiros que querem alcançar o tão sonhado reconhecimento.
Alguns dados expostos no texto citado de Ivan Cláudio ilustram bem essa conjectura: "...cerca de 40% dos brasileiros não condenam a tortura como método de "arrancar informação de bandido"...", mostrando como essas cenas de violência são recebidas pelo público, "...Marisa Leão, produtora de Meu Nome não é Jhonny (...) negocia a compra dos direitos autorais do livro Abusado de Caco Barcellos (sobre o traficante Marcinho VP)", o que nos remete à persistência na temática. Não nego, tampouco Ivan Cláudio, a importância desses filmes de caráter "urgente" acerca de problemáticas sociais, todavia o nosso cinema deve buscar algo além. Invevestir em tornar programas de TV em filmes - Grande Família, Os Normais - e em violência é fácil, há que se ousar e criar algo genuíno, que nos caracterize como produtores de cinema, sem apelação para a violência que há muito tornou-se meio de altos lucros nada louváveis artisticamente.
Porém, parece estar próxima uma centelha de esperança, mais precisamente em cartaz nos cinemas dia 21 de abril. Ivan Claudio aposta suas fichas nesses 3 filmes de temas diversos: Os desafinados, falando de um grupo de amigos músicos na época do surgimento da Bossa Nova, Falsa Loura, tratando das experiências amorosas de uma operária, e Chega de saudade, abordando o universo dos clubes de dança.
Agora, é aguardar as novas produções, assistir, criticar e torcer pelo cinema nacional que tem ganhado mais e mais espaço internacional.

Sobre o Amor

O ser humano que achar que está imune às peripécias de Afrodite, cometerá um erro.
Por isso há que se desenvolver sensibilidade às paixões e afetos alheios - eles serão nossos mais tarde.
Há que se dizer quando ama, pois há quem logre ser amado.
Há que se demonstrar remorso, pois há quem se alivie com nosso arrependimento.
Amar ou sentir qualquer outro sentimento não deve ser motivo de vergonha, mesmo que pareçamos vulneráveis ao fazê-lo. Privar-se dessas demonstrações é se sujeitar a um mal desnecessário.
Por isso, faço meu o conselho de Edith Piaf à humanidade: Aime !

Listening to Non, Je Ne Regrette Rien - Edith Piaf

Sunday, February 03, 2008

Convicção em 2008

Hoje acordei para uma realidade que me deixou muito orgulhoso: meu caráter.

Quando decidi que entraria na universidade, não o fiz por motivos financeiros. Antes de mais nada, decidi meu curso ao perceber que quero ser professor, então, optei por História.
Durante o período que estive trabalhando e na universidade, aprendi um bocado. E inclusive mudaram meus focos. Penso hoje em ganhar dinheiro. Porém, a origem é essa: ser professor, montar algo, construir conhecimento, formar cidadãos, contribuir com a sociedade. Aí está a origem, e ainda a essência do que quero. Enquanto muitos entram na universidade, perdidos, por motivos até, para mim, fúteis ou essencialmente financeiros, eu tenho essa ambição social, e isto me deixa satisfeito.
Devo deixar bem claro: não tô defendendo que todos DEVAM ser assim. Tô dizendo que sou, e acho isso bonito.
Sinto muitas dificuldades, às vezes me espanto com minha fraqueza, queria ser mais esforçado e disciplinado. Mas continuo firme. Convicto.

Era isso que gostaria de dividir no meu blog, que anda, inclusive, desatualizado, porém pretendo mudar isso.

=]

Saturday, December 22, 2007

Sonata de Outono


Ingmar Bergman (1918), conceituado diretor suéco, cujos filmes abordam as angústias humanas de forma poética e bem trabalhada, com trilhas sonoras bem escolhidas, fotografias cuidadosas e close-ups penetrantes.
Assisti, hoje, ao esplêndido Sonata de Outono, obra de sabor primoroso, sofisticado, de um trabalho que transparece a rigorosidade da produção de Bergman.
As cores são peculiares, predominando os tons avermelhados. As atuações talentosas são potencializadas pelas tomadas bem escolhidas, alcançando um efeito forte e pungente. As músicas encaixam perfeitamente à toda essa dança cinematográfica.
O enredo fala da relação conturbada e distante de Charlotte Andergast, uma famosa e bem sucedida pianista, e suas filhas Eva e Helena.
Ao saber da morte de Leonardo, homem com quem Charlotte vivia, Eva convida sua ausente mãe para visitá-la, a fim de confortá-la. Todavia, as personalidades e dificuldades de ambas, vindas de problemas do passado, fazem-nas entrar em conflito, trazendo velhas feridas à tona.
Com um desenrolar instigante, o roteiro alcança uma carga emocional fortíssima, quando mãe e filha confrontam-se, externando seus medos e angústias, antes revestidos e recônditos.
Uma obra que trata, como poucas, da falta de comunicação e da dificuldade de lidar com o outro, especialmente a família, algo a ser, certamente, eternalizado pelo tempo.

Nota: 10,00

Listening to Valsa das Flores - Orquestra Sinfônica de Berlim

Tuesday, November 13, 2007

Poesia e Mortalidade

A alma é imortal enquanto dura nossa mortalidade física.
Por isso a esperança não morre. O desejo sempre permanece, ainda que diminuto, latente, esperando o momento para surgir e gritar seus anseios, fazendo nosso coração acreditar nos sonhos.
E eu me questiono se isso é sublime ou cruel (ou ambos).

Eu tinha um poeta dentro de mim. Tinha uma atração pela escrita um desejo de que as minhas palavras ecoassem além de qualquer horizonte. Mas a insensibilidade humana e, principalmente, minha fraqueza, deixaram a poesia fenecer no meu espírito, cedendo lugar a coisas mais graves e importantes, ligadas aos números que tanto valoriza a gente grande.
Mas, não me sinto gente grande.
Ainda quero sonhar e correr grandes distâncias, sorrindo e sorrindo.
E a escrita, a arte, tem que estar lá, tão colorida como era antes!

Mas, tenho medo disso. Tenho medo de sonhar.
Porque, agora, os sonhos parecem tão perigosos, e esse receio sufoca a poesia, o amor, a arte.

Às vezes, só às vezes, eu grito, baixinho, por ajuda, já que sou orgulhoso. Mas, não há quem me ajude a me levantar, e nas lágrimas que correm dos olhos, nesses momentos, escorre aquela arte de ser, e sinto-me tornar um planeta frio e salgado.

Não estou triste, mas tenho medo, medo dessa felicidade, que parece tão razoável, tão razoável, que excluí a possibilidade de se fazer arte, de sorrir ingenuamente, e fazer da vida uma fábula.

Não quero uma vida racional.
Quero ser um romance, um filme, uma poesia, quero que minha existência torne-se arte.

Sunday, November 04, 2007

Amor

Amar, para mim,
É não saber o que fazer
É confusão
É devaneio
É difusão de atitudes,
de sentimentos,
de alegrias,
de tristezas,

Riso no lugar do choro
Lágrimas em vez de sorrisos

Mergulhar no nada
Dando braçadas ao vento
Nadando para um horizonte
Distante do que se quer

Amar é difuso e complicado
Uma pintura abstrata
Que algum crítico tentou
Mas nunca conseguiu explicar

Amar, é ser melhor
É ser nobre
É o sentimento mais belo
É escravidão, é servidão,
De um sentimento sem lei ou regras

Amor, Amor,
Meu caro Amor,
Não sei quem és de verdade
Me vendas,

Amando,
Cego,
Não vejo quem és!

Amar é Mistér(io).

---------

Tá, eu sei que este não é meu forte!

=]

Wednesday, July 18, 2007

Ruídos na sombra

Não faz muito tempo, abri mão dessa vida comum. Agora, acima dos homens, enxergo seus conflitos e mediocridades.
A alma transcenderia o tempo. Tenho o corpo imutável, mas a alma, já não sei. Posso vê-los, ao longo do tempo, movendo, construindo e desfazendo. Caminho entre eles, todavia não participo da interação morna da vida, visto o elmo de Hades e, se o tirasse, talvez, poderiam apreciar minha beleza implacável.
A eternidade seria mais cruel para o homem que o tempo – por isso não lhe foi fornecida –, mas não sou mais humano: após presenciar o esvair de minha geração, enterrando meus amigos e parentes um a um, sinto que, embora tivesse alma, minha humanidade feneceu na sua própria fragilidade do sentir.
Da geleira do infinito, assisto-lhes brincando, e, desta condição privilegiada, enxergo como não compreenderem o tesouro que possuem em mãos. E, então, a morte parece-me uma bela mulher de vestido preto, com uma longa cauda, de pele cálida, mãos geladas e sorriso convidativo à apreciação da vida – tão necessária e coerente!
A finitude tem seu charme, a eternidade também – mas é um prazer solitário. Fui esquecido pelo mundo, os meus se foram. Somos, efêmeros ou não, para universo das lembranças, nuvens passageiras, e, neste mundo, apenas este firmamento tão absurdamente belo permanece inabalável.
Viver no anonimato é um tipo de morte. Uma ruína sofisticada e nobre do cosmos destinada às criaturas de minha estirpe.
E, para quem se orgulha de gozar do sentimento mais puro – o amor -, tenho uma informação importante: nós, seres da noite, pedaços dessa escuridão que proporciona a ti, mortal, observar tão penetrante céu estrelado, também possuímos tal anseio vindo do Eros.
Eis nossa sentença: a escravidão eterna desse desejo insaciável.

Sunday, July 15, 2007

Alma de Picadeiro

Alma de Picadeiro

Dioniso era, para todos, um exemplo de homem cristão. Um marido carinhoso, trabalhador, e pai atencioso.

Sua mulher, criatura satisfeita, só estranhava uma mania do marido: sempre achava 15 minutos de seu dia, para a limpeza de seus estimados malabares, parecia escravizado pelo seu tesouro.

Mas, era o filho quem conhecia o segredo por trás da esquisitice: certa vez, em conversa confidencial, informou-se do passado paterno: uma paixão circense, onde seu genitor, saltando nos ares, girava os seus preciosos, até que fora expulso por um “affair” alcoólico, aposentando o malabarismo do palco, pelo familiar.

Certa noite, as malas foram feitas, mas esquecidas em casa. Sua esposa nada entendia. Amaldiçoado pelo vício, caminhava sobre a lama o tal cidadão, rumo a seu destino.

Encontrado assassinado pelo cafetão de um bordel, ainda com cheiro da bebida, aos seus pés chorava, uma jovem dizendo que ele só queria trocar de picadeiro. Sua mulher, estática, mal sabia que para si, só deixara a finada alma, um grande malabar.

Monday, July 09, 2007

Certas Coisas

Não existiria som, se não houvesse o silêncio
Não haveria luz se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim: Dia e Noite, Não e Sim.

Cada voz que canta o amor não diz tudo o que quer dizer
Tudo o que cala, fala mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão

Eu te amo calado...
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios
E de Luz

Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem Certas Coisas que eu não sei dizer

A vida é mesmo assim: dia e noite, não e sim
Eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de Luz

Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer


Somos simplesmente humanos, sujeitos a falhas, com medos, insegurança, raiva e paixão.
Calar, muitas vezes, diz mais que palavras sujeitas a tantos sentimentos contraditórios e a mentiras.
Somos essa confusão de vontade e receio: uma dualidade do querer e poder.
Assim como a luz e a escuridão, ou o som e o silêncio, são necessários um ao outro, nossa vida é essa mistura de acolhimento, afirmativas – o Sim -, e negações, cortes – o Não. Temos que esperar a concordância ou não do próximo, e estar dispostos a fazer o mesmo.
As canções de amor, não podem ser completas, pois é impossível dizer em palavras tudo o que se quer – principalmente definir o ser, que há tanto tempo tenta vã a nossa filosofia - e, por isso, tudo o que cala pode alcançar mais alto o coração de outrem.
Somos esses conflitos de medo e desejo, vontade e receio, somos feitos de silêncio – nossas omissões -, e som – nossas manifestações.

Saturday, July 07, 2007

Magnólia



E.s.t.u.p.e.n.d.o.!
O Universo, os deuses e os Homens


Jean-Pierre Vernant, através de sua obra fascinante, conta-nos, como uma narrativa fabulosa, com linguagem clara e acessível, os mitos gregos.

Narrando desde a origem do universo, quando existia apenas a escuridão e a confusão do Caos, o surgimento de Gaia - Terra -, passando pelo surgimento dos deuses - Zeus, Atena, etc. -, concluindo com os conflitos dos homens - Édipo Rei, Perseu, Ulisses, entre outros.

Lendo este livro, temos uma introdução de toda a mitologia grega, bem como das grandes obras literárias gregas, além de passearmos por análises acerca de suas temáticas e signos.

Uma obra recomendada para qualquer curioso sobre toda essa diversidade cultural e, particularmente, para estudantes da área de humanas, onde a cultura clássica grega se faz fundamental.

Friday, June 29, 2007

The Devil Wears Prada



Diferente, com uma fotografia ótima, combinando com o tema. Certamente assistir a este filme foi uma nova forma de ver a moda.


Antes de definir com adjetivos usados por quem não gosta do assunto - futilidade, inutilidade, etc. -, o mundo da moda é uma enorme indústria que movimenta milhões diariamente, gerando empregos, sofisticação e, sim, mudanças socio-culturais.


Acredito que até mesmo o mais despreocupado com a aparência, terá uma afeição à estética fashion ao terminar de assistir ao filme.
Mas, o Diabo Veste Prada não fala apenas de glamour, trata de opções, particularmente profissionais, que, inevitavelmente, fazemos ao longo da vida, suas conseqüencias e sua crucialidade para nossa carreira e vida pessoal.
Ser um excelente profissional é mais que fazer o seu trabalho, é realizar além e incluí-lo nas prioridades cotidianas, fazendo sacrifícios, pelos quais não podemos atribuir responsabilidade à nossa labuta, pois ele faz parte de nossas escolhas.

Um ponto interessante é a mudança de posição que acompanha a transformação visual da protagonista, levando-nos a ligar a preocupação estética com responsabilidade e compromisso profissional e pessoal.

Enredo: Andrea, que aspira trabalhar como jornalista, tenta uma vaga na revista Runaway, dirigida por Miranda, mulher poderosa e muito exigente com seus funcionários. Porém, ao abraçar esta carreira, para manter seu lugar ali, necessita mudar de atitude. Seus conceitos sobre moda e acerca de sua empresa mudam drasticamente, até o ponto onde Andrea deve escolher entre prosseguir ou não com a revista.

Misturando moda, ética profissional e beleza, esta obra é uma boa opção para cinéfilos que querem conhecer ou não o mundo confuso da indústria da moda.
Nota: 8,0

Thursday, June 28, 2007

The Back - The Brilliant Green

Não resisti, afinal, este é meu blog.

Esta semana chegou a mim uma ótima notícia: após lançar seu último single, Heavy Starry Chain, Tomoko Kawase anunciou o retorno da minha banda favorita: The Brilliant Green.

Tomoko, antiga vocalista do The Brilliant Green, havia abraçado a carreira solo no nome de Tommy february6, cantando música pop anos 90, e Tommy Heavenly, tocando um pop rock. Como Tommy estivesse fazendo muito sucesso, os fãs não possuíam muitas esperanças do retorno do Buri Guri (apelido da banda citada), porém tão surpreendente quanto foi a parada da banda, foi a ressurgimento dela.

Após dar o seu tempo de cinco anos, eles voltarão com o single Standy By Me, que será o tema de encerramento de um J-drama (série japonesa) que estreará no dia 03 de julho.


Após sua carreira solo, acredito que Tommy estará mais madura para dar o seu melhor no Buri Guri, agora, para os fãs de The Brilliant Green, resta esperar que eles obtenham o mesmo sucesso de outrora.

Good Lucky! Buri Guri!

---

Sugestão de músicas:

Bye My Boy!
Tsumetai Hana
Angel Song
Call My Name (English Version)
Running So High
Ai no Ai no Hoshii



Informações sobre a banda: http://www.project-j.org/tbg.htm
Apesar deste link enviá-lo direto a seção de The Brilliant Green, este site contém informações sobre diversas bandas japonesas, bem escolhidas, além de disponibilizarem uma canção para download. Sugiro também olhar a seção sobre Bonnie Pink. Site em inglês.

Tuesday, June 26, 2007

Bandidas

Campina Grande, 26 de junho de 2007

Em uma tarde que não prometia muito, surgiu a oportunidade de assistir a um filme que há um tempo despertara minha curiosidade. Com Penélope Cruz, o motivo pelo qual a obra chamara minha atenção, e dirigido por Joachim Roenning e Espen Sandberg, o filme chamou minha atenção, embora não tenha esperado muito dele.
Misturando ação, comédia, música mexicana e as belezas das protagonistas e de uma fotografia bem trabalhada, o filme se desenrola de forma gostosa e descontraída, enquanto faz duras críticas a intervenções estrangeiras no México.
Duas mulheres, unidas por um desejo de vingança e compaixão patriota, decidem roubar bancos que foram tomados por estadunidenses de forma ilegal. Maria é uma camponesa ignorante, porém boa no gatilho, Sara, filha de um bancário assassinado, é inteligente e bem educada, embora não seja boa atiradora, ambas mexicanas sensuais, formando um cômico contraste, principalmente ao se apaixonarem pelo mesmo homem.
As cenas de ação são boas, ágeis e interessantes, alcançando, com dinamicidade, um bom efeito. A história é simples, mas suficientemente interessante para a proposta.
Enfim, é um filme diferente e interessante para quem gosta ou não de faroeste. Uma combinação bem dosada de comédia, ação e sensualidade.

Recomendo!